segunda-feira, 6 de julho de 2015

Solução


Dissolvido no fundo de um mar de angústia
o poeta bebeu, conversou e morreu.
Talvez andar sem rumo fosse a resposta certa.

Constrói destrói reconstrói
Na vida, a impermanência é lei.

De cinzas, como fênix, renasce.
Esperança verdeja nas verdes veredas.
E andar sem rumo parece a resposta certa.

Mas todos do pó viemos;
ao pó, decerto, voltaremos.

Dissolvido no meio d'insano mundo
o poeta bebeu, conversou e cedeu:
talvez tomar um rumo seja a resposta certa.

Pois donde todos viemos
é aonde nós voltaremos.

O medo fere a frágil fênix.
Ao verde sucede o cinza; e ao fogo, cinzas.
Andar sem rumo talvez fosse a resposta certa.

Destrói reconstrói destrói
Na vida, a impermanência é lei.

Dissolvido no fundo de um mar de angústia
o poeta bebeu, conversou e morreu.
Talvez andar sem rumo fosse a resposta certa.

No limite, a resposta certa
é, como todas, incerta.
Na vida, a impermanência é lei,
mas o mundo ainda parece o mesmo.

Campinas, julho de 2014.

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