segunda-feira, 6 de julho de 2015

Terras em Brasa


Quando nascemos
fomos todos vendidos
em troca de escuros espelhos
que toda noite nos mostram
queimando por dentro.
Telas em que vemos
As nossas terras em Brasa.


Só seca, só soja.
Senhores açoitam.
Cidades escuras,
até as sombras assustam.
Nossos sonhos, cremaram.
Só cinzas sobraram.
Nossas terras, em Brasa.


Em nome do espírito
castram nossos corpos.
E em nome do corpo
julgam nossos espíritos.
Corpos dóceis, almas sóbrias,
Que jazem nas terras em Brasa.

Mas mesmo com tanta brasa

não se matou toda a brisa,
que pode domar o fogo.
Busquemos raízes,
plantemos sementes,
vivamos o verde
das nossas terras de Brasa.


E que temam essa Brasa
os que fizeram
das terras Brasa.
Agora nós
somos a Brasa.


Em algum lugar do rio Amazonas, julho de 2013.

Solução


Dissolvido no fundo de um mar de angústia
o poeta bebeu, conversou e morreu.
Talvez andar sem rumo fosse a resposta certa.

Constrói destrói reconstrói
Na vida, a impermanência é lei.

De cinzas, como fênix, renasce.
Esperança verdeja nas verdes veredas.
E andar sem rumo parece a resposta certa.

Mas todos do pó viemos;
ao pó, decerto, voltaremos.

Dissolvido no meio d'insano mundo
o poeta bebeu, conversou e cedeu:
talvez tomar um rumo seja a resposta certa.

Pois donde todos viemos
é aonde nós voltaremos.

O medo fere a frágil fênix.
Ao verde sucede o cinza; e ao fogo, cinzas.
Andar sem rumo talvez fosse a resposta certa.

Destrói reconstrói destrói
Na vida, a impermanência é lei.

Dissolvido no fundo de um mar de angústia
o poeta bebeu, conversou e morreu.
Talvez andar sem rumo fosse a resposta certa.

No limite, a resposta certa
é, como todas, incerta.
Na vida, a impermanência é lei,
mas o mundo ainda parece o mesmo.

Campinas, julho de 2014.